segunda-feira, 10 de maio de 2010

Moda da China no Chile

A China tem alguns tratados comerciais com o Chile e isso reflete não só na economia como também no modo das pessoas aqui se vestirem. Estampas e tecidos se misturam em uma divertida (ou estranha) composição. Há lugares especiais onde encontramos tudo isso a um baixo custo, como é o caso de Patronato ou o dos “Dos caracoles”.

Quem conhece em Belo Horizonte o Barro Preto, dito como "Pólo da Moda" da capital, pode imaginar como é Patronato. Ele se localiza na linha 2 do metrô santiaguino, não é muito longe do centro e é de fácil acesso. É quase um bairro, com quadras e quadras de artefatos chineses, como: acessórios, objetos para decoração mas, sobretudo roupas. Muita roupa! A região não é vista com bons olhos por aqueles que moram da "Plaza Itália para arriba", ou seja, classe média alta e classe alta de Santiago. Mas não é difícil encontrar granfinos comprando suas muambas por lá.


As "calzas" são muito usadas por aqui. São como nossas leggings, mas bastante estampadas.

  
Um pouco mais exagerado do que se vê na rua, Patronato reflete a moda da capital. Mais comum do que ver uma chilena de jeans e blusa básica, que é universal, é vê-las com composições inusitadas; e se eu bem conheço meus compatriotas, diria que até um pouco brega. Mas como sou aberta às novidades entrei na onda e comprei uma legging bem estampadona. As mulheres aqui as usam muito, que aqui é chamada de "calza" (se pronuncia calça mesmo!). E fazem dela uma peça básica no guarda roupa. É legging de baixo de short, de baixo de saia, de vestido, com salto, com tênis, enfim! 

Minhas aquisições feitas em Patronato. Tudo por menos d R$50.

Outro aspecto interessante do modo de vestir dos chilenos, principalmente das mulheres, é a mistura de estampas e tecidos que elas fazem.  Eu tenho a impressão que elas acordam e, às cegas, escolhem as primeiras peças que encontram pela frente. A partir do meu ponto de vista como brasileira, diria que as combinações quase nunca dão certo. É um tal de misturar crochê com veludo, renda com xadrez e por aí vai... Sempre parecem estar vestidas com roupas dos anos 70 (nada contra o estilo retrô!). Mas quando dá certo é pura alegria! As mais jovens fazem bem esse jogo e, caminhando pela rua, eu às vezes acho que estou andando por Tóquio tamanha quantidade de cores e estilos que vejo. A grande vantagem é que você põe o que quer e não precisa se preocupar porque ninguém vai te olhar com cara feia.

Imitações desse modelo clássico do RayBan aqui são febre. Estes estavam na promoção de C$ 1000, menos de R$ 4.

Com o tempo, a gente que vem de fora acaba se acostumando, ou muitas vezes não. Outro lugar que é resposta unânime quando se pergunta onde é indicado para comprar roupa, é o “Dos caracoles”, no centro do bairro de Providência. São dois edifícios de uns quatro andares cada, em que se encontra tudo que está na moda por aqui. Mas alerto aos navegantes de primeira viagem: a moda aqui parece muitas vezes ter parado no tempo. Interessante é ver também a dificuldade enorme de se encontrar uma blusa básica, daquelas de uma cor só e lisa, sem estampa. Não tem em parte alguma.

Os "Dos caracoles" no centro de Providencia. Toda moda (inusitada) do Chile pode ser encontrada aqui.


Por último, vale comentar das lojas de multimarcas mais populares do Chile. Elas são como as nossas C&A e Renner, mas com a diferença que vendem também informática e eletrodomésticos em geral. Além disso, algumas vendem marcas de grife como perfumes de Georgi Armani e Hugo Boss e maquiagens da famosa MAC. As compras podem ser feitas pela Internet, e como tudo aqui no Chile, se você tem o cartão fidelidade de cada comércio, ganha desconto nas compras ou acumula pontos para trocá-los posteriormente. As mais conhecidas são Falabella, Ripley e Paris e estão espalhadas por toda a cidade.



Estes dois sapatênis são uniforme aqui entre as adolescentes e jovens: todas têm. Custam a partir de R$ 40.


E última dica: aos que ficam na dúvida se devem trazer ou não peças de frio para o Chile ou comprar aqui, fique com a segunda opção, porque aqui é muito mais barato a moda de inverno, já que é um país, em geral, mais frio que quente. E assim como no Brasil, todos esperam para se exibir no verão, aqui todos aguardam ansiosos para desfilar suas roupitchas de frio, portanto a oferta é imensa!





Eu tirando foto clandestinamente dentro da Falabella. Aqui não se pode tirar foto de nada! Preço do colete: R$40.


Bom, é isso. Um beijo especial às mamães que acessam o meu blog. Desejo tudo de mais lindo e maravilhoso a vocês que nos deram a vida! Para a minha mamis, os meus votos estão nesse vídeo, que quem não viu, pode ver clicando aqui: Feliz Dia das Mães direto do Chile!


Boa semana a todos!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cerro San Cristóbal y Cerro Santa Lucia

Saudações a todos. Quanto tempo, não é mesmo? Bom, inspirada na frase da minha amiga Renata, que este final de semana me disse, mais ou menos assim: “Marcela, continue postando no seu blog porque os seus tédios no Chile são mais interessantes que os nossos no Brasil”, resolvi escrever-lhes.

Como sempre, minha vida aqui está a mil por hora, e cada dia é uma nova experiência. O frio aqui já começou e há duas semanas houve a primeira chuva de muitas que estão por vir. O clima aqui é temperado, ou seja, com as quatro estações bem marcadas, e de verões secos e invernos chuvosos. Ainda não acostumei com a mudança climática em um mesmo dia. Ontem, por exemplo, eu saí de sandálias aberta achando que estava no verão do Rio de Janeiro e peguei uns 15ºC à noite e mesmo assim arrisquei um sorvetinho. Pior mistura, impossível. Passei uma noite com muita dor de cabeça, frio e suor. Mas, tranqüilos, estou melhorando já (e aprendendo a não duvidar quando os nativos dizem que vai fazer frio)!

Bom, hoje vou falar um pouquinho sobre dois passeios que realizei dentro de Santiago, nestes últimos dias.

Cerro San Cristóbal

Acompanhada dos meus companheiros Alejandro (vulga Chávez), do México e Harry, do Peru, conheci este Cerro que está no bairro de Bellavista em Santiago e é um daqueles passeios que todo turista deve fazer ao visitar a capital. Construído a quase 100 anos atrás este cerro é o segundo lugar mais alto da cidade, perdendo apenas para o cerro Renca. Subimos a pé e é uma caminhadinha de 20 minutos. A vista lá de cima é linda onde se pode ver toda Santiago e a Cordilheira dos Andes, tudo isso, com a inseparável faixa de poluição que cobre todo o céu e faz da região uma das mais poluídas do mundo. Mas nem por isso deixa de ser bela.

Além disso, há um santuário e no alto a estátua da Virgem Maria que pode ser vista de diversas partes da cidade. Foi lá também que, em 1987, o Papa João Paulo II foi acolhido pelos chilenos para um discurso que poria fim ao quase início de uma guerra entre Chile e Argentina, durante a ditadura militar de Augusto Pinochet.

A descida foi a mais divertida! Descemos em um carrinho teleférico que de tão inclinado parecia que ia cair...

Vista panorâmica de Santiago desde o alto do Cerro San Cristóbal.

 
Alejandro, eu e Harry. Ao fundo, a imagem da Virgem Maria que pode ser vista por quase todos pontos da capital.

Parede com pedidos e agradecimentos pelas graças concedidas pela Virgem.
 
Cerro Santa Lucia

Já este final de semana, resolvi conhecer outro ponto turístico localizado bem no centro de Santiago: o cerro Santa Lucia. Diferente do San Cristóbal, este parque tem construções bem antigas, do século XVI, quando Pedro de Valdívia, neste mesmo lugar, fundou a cidade. A vista que temo ao subirmos é da típica metrópole sul-americana: bem poluída e desordenada. Não muito diferente de Belo Horizonte, Rio de Janeiro ou São Paulo.

 Harry, Priscila(chilena que fala perfeito o protugues), Veronica e eu fazendo pose em um dos muitos canhóes do cerro.

Mas a parte mais interessante ficou por conta do almoço que fizemos pós passeio. Não tenho tido muita sorte com a culinária chilena. Simplesmente odeio tudo que como aqui. Esta semana comi o famosíssimo Pastel de Choclo, que é uma torta salgada de milho, (que mais parece uma pamonha) recheado com peito de frango, carne moída, ovo e azeitona e para completar uma calda de caramelo por cima! Esta mistura de doce com salgado não é minha preferida, só de pensar no bendito prato chileno, meu estomago até embrulha! Em compensação, uma cozinha que ainda não me decepcionou é a peruana. 

Eu me derreto com as criancinhas chilenas e peruanas. Muito fofas!

Ontem, depois de andar bastante pelo cerro, resolvemos ir, eu, Marília, Matt e Harry, nosso legítimo peruano, à procura de um almoço decente e descobrimos um edifício perto da Plaza de Armas da cidade, onde havia vários restaurantes peruanos. Nada elegante, pelo contrário, mais parecia o consulado do Peru, cheio de nativos desse país, lotando os pequenos e desordenados espaços de refeição que muitas vezes beiravam o hediondo. Mas enfim, deixamos de lado qualquer frescura e entramos em um lugar até limpinho, mas lotado e bem confuso. Entre peruanos e africanos que iam e vinham, conseguimos nos ajeitar e enfim comer deliciosos e baratos pratos peruanos, como o que eu provei dessa vez, chamado Ají de Gallina, que é uma pasta amarela com frango desfiado e pimenta. 

Além disso, provei da Canchita Tostada que é um milho frito que se come com sal e tem um sabor que está entre pipoca e amendoim e o Chifle, que é uma banana frita que também se come com sal. Para completar (e lembrar que nada é perfeito), tomei refrigerante feito daquele milho roxo que falei sobre nos primeiros dias. Ele é amarguinho, mas acho que só não gostei tanto, porque sabia do que se tratava! Hahaha! Ah! Aproveitando que estou falando em comida, tenho que comentar que engordei 5 quilos em dois meses aqui! Esse povo come mais carboidrato que tudo! Portanto, mais uma teoria comprovada: a de que intercambistas sempre ganham peso em suas viagens!

No mais, é isso, gente! Desculpe por tanto tempo sem dar-lhes noticias, espero poder voltar a atualizar com mais freqüência.

Beijos e abraços aos que me lêem.

sábado, 10 de abril de 2010

Viña del Mar y Valparaíso

Olá, quanto tempo. Como estão todos? Soube que BH está fria e que o Rio está enfrentando uma de suas maiores enchentes. Só se falou nisso aqui no Chile esta semana, tamanha foi a repercussão. Bom, por problemas de tempo e paciência eu não havia postado antes, mas aqui estou hoje para contar como foi minha Páscoa em Viña Del Mar y Valparaíso.

Na quinta passada fui a uma reunião na casa das mexicanas e acabei ficando até muito tarde por lá. Sexta, pela manhã, acordei com a Marília me gritando e dizendo que estávamos atrasadas para viajar. Meu Deus! Nunca fiz uma mala tão rápido na minha vida. Fui com a roupa da noite anterior e a cara amassada e borrada de maquiagem. Os cariocas, Rafaella, Ruan e Paulo já estavam nos esperando na estação de metrô e ônibus, e junto estava o australiano Matt.

Viña Del Mar é o principal destino dos turistas que vêm ao Chile e entre os próprios chilenos também. É uma cidade localizada na costa do oceano Pacífico e fica a 122 quilômetros de distância de Santiago. É lá que acontece o Festival de Viña, a principal festa chilena, como já havia dito em um dos meus primeiros posts. Bom, em menos de duas horas chegamos lá, mas demoramos um bocado até que encontrássemos o albergue que ficaríamos. Tudo porque não anotamos o endereço de lá. Quanta esperteza, verdade?

O nome do hostel é Che Lagarto, eles são uma rede de albergues e estão presentes no Brasil, dentre outros países sulamericanos. Como havíamos feito reserva, pagamos cinco dólares a diária com café da manhã incluído. O lugar é uma graça, grande e super ajeitado, além disso, os funcionários são muito prestativos e gentis. Eu recomendo!

Eu e a mascote do albergue: Meee.

Arrumamos nossas coisas e saímos à procura de almoço. Estava tudo fechado, por ser feriado, e para piorar, nenhum de nós conhecia a cidade, assim que fomos explorá-la sozinhos. Comemos em um restaurante chileno mesmo, nada de comida típica porque estávamos mortos de fome! Saindo de lá pegamos um ônibus e voltamos para perto da nossa casa... Enfim fomos ver o tão sonhado Pacífico. Mineiro em praia, já viu o desespero, né?  Fui em disparada para pôr os pés na água e voltei quase amputada de tão frio que eles ficaram! É, comprovei que as águas do Pacífico podem até ser tranquilas, mas não deixam de ser geladas. Vimos o lindo pôr do sol e depois voltamos ao albergue. Estávamos tão cansados que não demoramos muito para dormir. Exceto o Matt que voltou para Santiago e o Paulo, que mais uma vez honrou a fama que os fluminenses têm de “azarar geral” e ficou até de madrugada galanteando as outras estrangeiras que também se alojavam no hostel.

Brasucas e o simpático australiano Matt. No fundo, o gelado Pacífico.

Contemplando o pôr-do-sol em Viña del Mar. 

No segundo dia, conhecemos a dois brasileiros de Santa Catarina, Bernardo e Ricardo, que também estavam na casa, e junto de mais uma galera que chegou de Santiago, incluindo minha madrinha Coni e o Pedro de BH, fomos passear por Viña. Separamos-nos na hora do almoço e metade foi comer no Mc Donalds enquanto eu, Marília e o trio fluminense, gastamos cerca de R$ 25 em um restaurante de comida mexicana. Podia até ter pratos do México, mas acabamos comendo comida chilena mesmo e ainda reclamamos com a gerência pelo mau atendimento, coisa que aqui ou você se acostuma, ou você vai passar muita raiva. A gente ainda não se acostumou.

Um dos vários castelos à beira-mar que há em Viña. Foto tirada pela Marília.

Marília comendo Paila Marina, típica comida chilena no restaurante mexicano. É tipo uma sopinha de ostras, peixes e camarão.

Logo depois a galera toda se reuniu de novo em Reñaca, a praia da elite. Bonita, mas não como as brasileiras. Logo em seguida fomos para o que seria, para mim, a melhor parte da viagem. Próximas desta praia estão algumas dunas onde você pode praticar o Sandboard, ou seja, surf na areia. Eles te alugam a prancha por mais ou menos R$2 a hora. A subida inclinada para o alto das dunas é bem cansativo (destaque para Marília que demorou 30 minutos nessa façanha), mas a vista e a diversão (e o corte que ganhei no tornozelo e os mil quilos de areia que comi e que ficaram distribuídos por todo meu corpo) compensaram! Eu me senti a Kelly Slater de Belo Horizonte.

Eu, Hector e Ruan surfando nas dunas.


Galera "muy bacán"!
Saímos esgotados de lá. Os meninos voltaram de ônibus, enquanto as meninas voltaram no carro do Pedro. Mais de uma hora para chegar ao albergue, tamanho o engarrafamento nas ruas da cidade. Além dos 10­ graus Celsius que fazia e a gente com roupa de praia. Chegando lá, todos famintos e na hora de procurar o lanche que havíamos comprado: surpresa! A Marcela (sim, eu mesma) havia esquecido ele no carro do Pedro, que naquela altura já estava quase em Santiago já. Bom, passado a vontade dos meus compatriotas de me matar, fomos ao centro da cidade e descobrimos um lugar bom, barato e farto. O sanduíche da Marília, por exemplo, era tão grande que serviu de janta para mim e para ela no dia seguinte, já em Santiago. O “carrete” acabou sendo no albergue mesmo, pois estavam todos cansados e com muito frio. Conheci umas norte americanas muito simpáticas e que falam perfeito o espanhol, e foi com elas, com outras mexicanas e com os brasileiros que jogamos sueca até o dia clarear, literalmente.
No domingo, ou no que restou dele, fomos conhecer outra cidade muito conhecida e grudada a Viña, Valparaíso. Tomamos um metrô e em alguns minutos estávamos lá. Tiramos (eu não, porque estava interessada em conversar fiado com os habitantes) foto com uma lhama, fizemos um passeio de bote pelo porto mais caro do mundo (1.800 dólares por hora para atracar a embarcação), ficamos enjoados com a maré, tiramos fotos com marinheiros, provocamos brigas entre os comerciantes locais que disputavam nossa preferência e não conhecemos as casinhas e ruas coloridas da cidade, já que tivemos que voltar rápido para pegar o ônibus.

Brasileiros e a llama feia.

Passeio de bote em Valparaíso. Porto mais caro do mundo!


Eu, Rafa e Má com representantes da marinha chilena em Valpo.
Foi tudo tão mágico que valeu a pena não ter ganhado UM OVO DE PÁSCOA SEQUER. Hahaha! A digestão dessa viagem ocorreu durante toda esta semana, que inclusive passou voando. Por isso, só hoje estou aqui a compartilhando com vocês. Espero que tenham gostado. E força, Rio!
Uma boa semana a todos. Beijos mais que especiais aos responsáveis por tanta coisa maravilhosa que tem acontecido comigo: Mãe e pai, eu amo muito vocês!!!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Solidariedade: idioma mundial

A história


Dia 27 de fevereiro de 2010, de madrugada. Dona Lucilia de Carmen Piña Vidal está sozinha em sua casa construída com adobe e madeira quando sente o chão tremer. Assustada e sem entender o que acontecia ela recolhe agasalhos, água e alimento e tenta fugir para rua. O movimento de ondulação é tão forte que não permite que ela sequer se mantenha de pé. Minutos depois ela consegue sair da casa e vê na estrada de terra onde mora, as árvores se entrecruzando. Dona Lucilia vive a 24 quilômetros de qualquer assistência médica ou comércio. Consegue chegar à casa de sua irmã e fica por lá até o amanhecer. Quando no outro dia retorna à sua vivenda, percebe que já não pode mais ficar lá. A casinha que era de seu avô e tem mais de 100 anos, está a ponto de desabar.

 A sala-cozinha da casa de Dona Lucilia feita de adobe e madeira.

Dia 27 de março de 2010, de madrugada. Dona Lucilia com seus ouvidos apurados e seu corpo atento a quaisquer movimentos vindos da terra, escuta ruídos de carros e caminhões vindos da cidade mais próxima de seu povo. Dentro dos veículos há solidariedade, boa vontade e esperança. Ela mal sabe, mais dentro de um dia terá uma nova casa.

O projeto

Pichilemu é uma cidade conhecida por lindas praias e agora também pela destruição causada pelo terremoto. Ela se encontra na IV Región Del Libertador Bernardo O´Higgins, ou seja, sexto estado chileno distante 260 quilômetros de Santiago. Há cerca de 25 quilômetros de distância, está El Maqui, pequeno povoado campestre que após o desastre de 27 de fevereiro, deixou centenas de famílias desabrigadas ou vivendo em casas com grande risco de desabamento.

 El Maqui, distrito da cidade de Pichilemu, que por sua vez está localizado na VI Región de Libertador Bernardo O´higgins.

Criado em 2007, o projeto Un techo para Chile tenta erradicar a pobreza no país a partir de construções de medias águas, que são casas emergenciais feitas de madeira e muita solidariedade. Todas as férias letivas (janeiro e julho) eles convocam estudantes de todo o país para construírem estas moradias em diversas regiões marginalizadas. Extraordinariamente, o projeto está atuando todos os finais de semana desde o desastre ocorrido no final das mesmas férias em função da quantidade de pedidos de ajuda no pós-terremoto. Na viagem deste último final de semana, o projeto conseguiu reunir cerca de 100 voluntários com a meta de colocar de pé 20 medias águas. Orgulhosamente pudemos realizar o feito com sucesso.

Héctor do Equador com sua fitinha da ação: Chile ayuda Chile. E eu completaria: "E os estrangeiros também".

Mãos à obra

Através da minha madrinha de intercâmbio, Constanza Egaña, quase todos os estudantes intercambistas da UANDES foram convocados para missão “El Maqui”. Nos juntamos aos demais estudantes e em dois ônibus e 4 horas de viagem chegamos ao povoado, às 3 horas da madrugada do sábado, 27. Dormimos em barracas montadas no pátio de uma escola primária da região e em 3 horas e meia estávamos de pé, com muito frio e à espera da saída do sol e de pormos a mão na massa. Fomos divididos em 17 quadrilhas de seis pessoas, cada uma encarregada da construção de uma casa. Além disso, todo grupo contava com a ajuda de um ou dois militares do exército chileno. Por uma falta de conhecimento da região, o primeiro dia rendeu pouco, pois nos perdemos, além de ficarmos atolados em um pequeno riacho da redondeza. 

O caminhão do exército atolado e todos pensando como tirá-lo de lá. A solução veio com um garoto da região que dirigia seu trator e passou por perto na hora. É gente ajudando gente! 

Primeiro dia: tratando de nivelar o terreno para depois instalar os pilares.

Por sorte, minha quadrilha era composta por minha madrinha, que era a chefe e meus colegas estrangeiros, o que facilitou a interação nossa. Além disso, fomos muito bem recebidos pela senhora dona da casa: Lucilia de Carmen. Antiga moradora da região e presidenta do grupo comunitário da vizinhança, ela nos tratou muitíssimo bem, sempre com uma risada divertida e uma história para contar de seus anos vividos na Alemanha. Os militares que nos auxiliaram também foram impecáveis. Muito engraçados, por acaso! Fizeram-nos rir muito com suas histórias como servidores do país. Militantes e militares juntos. Quem diria? Coisas do século XXI. Também fomos motivo de riso entre os moradores da região, inclusive o senhor Francisco Antônio, ou Don Corucho, como prefere ser chamado, que de minuto em minuto dava gargalhadas infinitas vendo o nosso despreparo com as ferramentas e a conversa confusa que resultava da diferença de sotaques e nacionalidades.

Verônica, Harry e eu nos preparado para o segundo dia. No fundo, nossas barracas.

Almoço preparado pela Dona Lucilia. Ajudamos matando as galinhas. Hehe!

Ninguém era experto em construção, mas todos queríamos muito poder contribuir de alguma forma para aquela senhora que com olhos atentos assistia o nosso trabalho. Dois dias estirados na terra vermelha, sem banho, cheio de picadas de sancudos (pernilongos), tendo que se adaptar ao clima que ora era quente, ora frio e ora garoa com muito vento. Com mãos e corpos doloridos pelo esforço feito, por volta das 21 horas de domingo pudemos entregar a casa pronta para Dona Lucilia, que emocionada nos agradeceu muito e prometeu por na sede comunitária o nome “Hermanos de todo el mundo”, em nossa homenagem.

Dona Lucilia (de preto) entre seu vizinho e seus irmãos, entre eles Don Curocho, de branco e rindo para variar! Haha!

Reunidas todas as quadrilhas, saímos exaustos da pequena vila. E no silêncio da viagem de volta, escutava-se o coração de cada um feliz por ter ajudado e com a certeza de que esta experiência levaremos por toda a vida.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Primero mes

Sabe quando você sonha com algo e planeja que tudo saia da forma que você imaginou que seria melhor? Esquece. Alguma força superior a todos nós sempre sabe o que é melhor para a nossa vida. Acreditem. Há um mês, a essa hora, eu estava quase em prantos porque a mulher que me receberia neste país, estava na praia e eu na rua. Quem diria que hoje eu agradeceria tanto que isso tenha acontecido.

Olá, gente, como estão? Eu aqui não poderia estar melhor. Estou hoje comemorando meu um mês de Chile, e à moda da casa: em um churrasco. O grupo de estrangeiros, nos apelidamos "Los Cuates", que significa "Os parceiros", no México, estamos nos dando muito bem. É muito bom estar com todos eles, porque além da cultura chilena, conhecemos um pouco sobre o México, Peru, Equador, Estados Unidos, França e Austrália. Hoje o "asado" foi no prédio de um equatoriano amigo nosso, o Chafla. Vejam nas fotos que maravilhosa a vista. E aqui em Santiago qualquer parte que você ande pode ver as Cordilheiras dos Andes. Estamos aproveitando o final do verão, porque logo o frio aterrorizador vai começar.


Sexta indo "carretear". No volante, o Pedro, mineirinho de Belo Horizonte, uai. Mas chileno de coração, há quatro anos aqui. Ao meu lado, a mexicana Gabriela, e atrás: Harry, peruano; Tomas, francês e Alejandro, mexicano.


"Los Cuates, wey!", que no México seria como: "A galera, cara!". No fundo, as Cordilheiras dos Andes.

Aliás, esta coisa de calor de dia e frio à noite é péssimo para a saúde, sobretudo quando nos alimentamos de macarrão todos os dias, como é meu caso. Estou me recuperando de um resfriado forte que peguei há uma semana. Acordei uma noite de tanto tossir e resolvi fazer um xarope delicioso que minha mãe fazia quando era criança: de cebola! Ecat! Mas resolveu... Depois ainda comprei um xarope de farmácia e me sinto melhor agora. Quando se está longe de casa, é bom não dar bobeira com o assunto saúde.

Mao devorando os Completos, que são tipo cachorros quente, mas só levam tomate, salsicha e abacate e os Italianos, que levam chucruts (repolho), salsicha, e uma saladinha de cenoura e pimenta.

Esta semana Marília e eu tivemos abstinência de feijão brasileiro. Sim, porque aqui tem um prato que se chama "Porotos con riendas", que é macarrão com feijão branco. Ainda não provei, mas é tudo que eles sabem sobre feijão. Resolvemos (ok, Marília, só você fez) fazer para todos da casa. O pretinho passou a noite em banho maria, e no dia seguinte umas três horas no fogo; tudo isso porque não tínhamos uma bendita panela de pressão. Cozinhamos para umas dez pessoas. O jantar que deveria sair às 20 horas, saiu meia noite, mas todos curtiram (óbvio, com a fome que estavam, todos comeriam qualquer coisa, hehe)!

Vizinhos de quarto no jantar brasileiro. No menú; arroz, feijão preto, batata frita, bife e salada de alface e tomate. Eles amaram!

Quanto à faculdade, estou amando! Tenho aulas de Chile y América Latina II, e imaginem, nem gosto desse tema, não é? Além disso, tenho aulas de Espanhol, e todos os estrangeiros não hispano-falantes fazem parte dela. A professora é ótima e ensina todos os modismos, exceto os muito ordinários, que isso eu aprendo dentro de casa mesmo. Mas não se preocupem, não os uso, é senão por uma questão de sobrevivência, hehe! Terei mas outras três matérias, uma começa amanhã e as duas outras só em Abril.

Indo para a aula às 7:30hs. Daqui para frente a tendência é escurecer mais. Isto explica porque nenhuma escola ou faculdade têm o início das aulas às 7 horas.

Enfim, um mês maravilhoso, eu diria. E tenho cinco mais... Que venham!

Uma boa semana a todos!