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sábado, 3 de julho de 2010

Pomaire, Isla Negra e Brasilforadacopa.

Estar no Chile e vê-lo ser eliminado do Mundial pelo Brasil: R$ a tristeza de 17 milhões de chilenos.
Ser eliminado do Mundial pela segunda vez consecutiva: R$ a tristeza de 190 milhões de brasileiros.
Ver os 40 milhões de argentinos serem eliminados do Mundial: Não tem preço.

É rir para não chorar, né? Mais bola para frente. Bom, bola não, mas vocês entenderam a idéia. Para distrair a tristeza da derrota, vou contar sobre mais uma viagem que fiz por esse Chile que tanto gosto (...).

Outro dia fui conhecer as cidades de Pomaire e Isla Negra, ambas cerca de 50 quilômetros de Santiago. É um passeio agradável e que dá para fazer em um dia. Eu e mais três pessoas alugamos um carro por aproximadamente R$ 230 mais gasolina que foi mais ou menos R$ 100. Mas há ônibus que fazem esse trajeto e por um preço muito mais em conta, claro.


Pelas estradas chilenas...

O que tem de bom nelas? Pomaire é um “pueblito” de 10 mil habitantes e a atração principal são as dezenas de lojinhas que vendem artefatos, louças e várias coisas feitas de argila. É uma ótima opção para lembrancinhas. Além disso, lá é conhecido como a cidade das empanadas gigantes. Empanada aqui no Chile é equivalente aos nossos salgados. Só que aqui eles têm apenas dois tipos, a assada que é muito parecida à nossa esfiha e tem quase sempre três sabores: pino (carne moída, ovo cozido, azeitona e cebola), napolitano e queijo. E a frita nada mais é que o nosso pastel chinês. Mas o caso é que elas são grandes mesmo! Uma dá para quatro pessoas. Ir à Pomaire é como conhecer em resumo a cultura do Chile e fugir um pouco do corre-corre da capital.

Artesanato de argila é o forte da cidadezinha de Pomaire.

Com as barrigas cheias de cultura chilena, fomos a caminho de Isla Negra. Mais 50 quilômetros percorridos e lá estava eu, mais uma vez de frente ao gigante oceano Pacífico. A atração da cidade, sem dúvida, é a casa do ilustre poeta chileno Pablo Neruda (Parral, 12 de julho de 1904 - Santiago de Chile, 23 de setembro de 1973). Ele era conhecido por ser um eterno apaixonado pelas mulheres. Casou-se três vezes e com cada esposa, viveu em uma casa em diferentes partes do país e que são atualmente museus. Há uma em Valparaíso e outra em Santiago. Na de Isla Negra foi onde viveu até seus últimos dias de vida ao lado de sua última mulher, Matilde Urrutia. A decoração foi toda inspirada no interior de um navio, o mar era outra paixão do poeta que costumava dizer que era um marinheiro de terra. O passeio por essa casa custa ao redor de R$ 10 e para quem é estudante no Chile sai pela metade do preço. A casa é linda demais; bem de frente para o mar e o interior cheio de pequenos detalhes muito bem conservados e que refletem a personalidade de Neruda. É um passeio que vale a pena fazer, sobretudo se você é amante de literatura.

Casa de Pablo Neruda, em Isla Negra.

De volta à Santiago depois de um “taco” (engarrafamento) típico para quem anda de carro pela cidade (não é meu caso), era hora de descansar para o grande partido de Brasil e Chile ocorrido no dia seguinte. Por acaso, segunda foi feriado aqui no Chile. A cidade toda estava em silencio até o começo da partida contra os brasileiros. Fui assistir em um lugar onde os brasucas eram apenas 20 por cento dos presentes. Apesar de os chilenos serem também loucos por futebol, respeitaram muito a gente durante o jogo, e no final, quando foram derrotados. Deu uma dó deles, mas nossa alegria não durou muito, e sinceramente, não sei se alguém está com pena da gente agora...

No fundo, as brasileiras corajosas no meio da torcida "La Roja".

A vida segue. Último mês no país e ainda tem muita coisa boa para contar. Vou me despedindo e deixando abaixo um pequeno poema de Neruda.

“Sê


Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.”
 Beijos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Comienza el Mundial

Olá, gente. Como estão os ânimos para esta Copa do Mundo? Pois aqui no Chile, estava tudo tranqüilo até ontem, quando a equipe deles ganhou de 1 X 0 contra Honduras.

Meu Deus! Parecia que já era a final. Uma buzinação, o povo com cara pintada nas ruas, ninguém teve sossego. Mas para mim, o estresse mesmo foi no dia da nossa estréia. Segunda à noite eu já não conseguia dormir bem, fiquei até de madrugada lendo tudo o que podia sobre a seleção brasileira, para quando chegasse na hora, fingir que já sabia tudo. Sabe como é, brasileira que não entende de futebol, não é brasileira (isso segundo os estrangeiros, gente. Calma...). No dia seguinte acordei cedo e decretei feriado pessoal. Pela Internet, vi a folia que o Brasil já estava e fui entrando no clima. Fui ver o partido na casa de outros brasileiros e a melhor parte foi quando eu, toda de verde e amarelo e com a bandeira amarrada na cintura, saí na rua. Eu esperava ver a cidade toda enfeitada com as cores da bandeira e etc, só que aqui não é Brasil e primeiro veio a decepção de não ver um ser vivo vestido a caráter. Fui o centro das atenções na rua e com muito bom humor escutei as típicas (e talvez únicas) frases que os chilenos sabem em português: “Dale garotinia”, ”Pentacampeones”, “Ronaldinio” e por fim a clássica “¡Brasil, paíx maix grando mundo!”. Com tanto apoio moral quem não fica feliz, verdade?

Australiano passando bandeira do Brasil? Coisas de cidade cheia de gringos.

Os comentários sobre o jogo eu deixo para os blogueiros da área, mas convenhamos que jogamos como um timinho: equipe sem sintonia, falta de técnica, ataque fraco, defesa espalhada e Cacá machucado para completar. Fala sério! Cheguei a pensar que não faríamos nenhum gol. Ok, ok, sem mais críticas. Porém, se continuar deste jeito, esta Copa do Mundo não vai ser de mão beijada, não. O sufoco está só começando...

Olha o pratão de feijão com arroz. Isso aqui no Chile é especiaria!

Enquanto isso, eu me divido aqui entre a Universidade, que está na reta final, portanto muitas provas e trabalhos e para conseguir ver com os amigos estrangeiros os jogos de seus países. E olha que são muitos: Austrália, Camarões, França, Estados Unidos, México e claro, do próprio Chile.


Priss: chilena abrasileirada. Torcendo pelo Brasil ou gorando a gente? 

Mudando de Assunto

Fiz este post mais para atualizar o blog, e como ficou curtinho, abaixo estão fotos de uma inusitada e divertida situação que vivi esses dias, dentro de um ônibus em Santiago. Como já havia dito outras vezes, a quantidade de cachorros de rua aqui na capital é absurda. Inclusive vemos cães de muitas raças que no Brasil são caras, como, por exemplo, o husky siberiano e o labrador. No inverno é interessante porque muita gente compra roupas de frio para cachorros e colocam nesses de rua para que não morram de frio. E inclusive há uns que tomam até ônibus! Vejam só:


O quiltro (vira-lata) esperando o ônibus no ponto.

O cãozinho nem se incomodou com a gargalhada das pessoas dentro do ônibus. Subiu e se ajeitou em um cantinho.

Chegando no seu destino ele desceu tranquilamente do ônibus. É provável que tenha ido fazer combinação no metrô.

É isso! Tudo de bom e até mais, gente.