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domingo, 1 de maio de 2011

La palta - Comiendo a la chilena - Parte 1

Os pratos chilenos são do tipo “Parece, mas não é ”. Entre paltas y marraquetas, eu comento, hoje, um pouco da surpreendente cozinha chilena, começando pelo café-da-manhã.

Não julgue nada pela aparência. Essa é a premissa para quem deseja provar a comida chilena sem medo de ser feliz. Sem muitas variadas com a culinária brasileira, em uma semana você pode conhecer todos os pratos típicos do Chile. Então, não vamos perder tempo.

Palta


Antes de falar sobre os pratos típicos do Chile, é preciso saber o que é a palta. No Brasil, nós a conhecemos como abacate e a comemos como fruta, com açúcar ou como vitamina. Mas no Chile, a palta é o que chamamos de abacate é considerada verdura e pode ser encontrado em todas as refeições. Portanto, acostume-se e não estranhe quando vir palta no pão, na salada, na pizza, no sushi e até mesmo no Mc Donald’s. Mas na se assuste, no fim das contas, a gente acaba se adaptando.




Desayuno

O dia no Chile começa com um belo pão com manteiga, patê, mermelada (geleia), ovo frito ou claro, com palta. Até que existe o presunto e queijo, mas são bem carinhos. A hallulla e a marraqueta (pan batido, pan francés) são os pães mais comuns. No país, não existe a padaria do jeito que a conhecemos. Para comprar seu café da manhã, só em mercearias ou em supermercados. Em Santiago, o mais parecido à padaria brasileira é a rede Castaño, presente em qualquer esquina ou metrô da cidade. Para beber, vale um café ou leite com chocolate em pó. No inverno, é normal tomar uma agüita, que é como eles chamam o chá (té, no espanhol normal).



Outra coisa comum no café-da-manhã é o queque, que nada mais é do que o nosso bolo. E atenção! O outro nome para bolo em espanhol é pastel. Então, se vir uma Pastelería, já sabe ;D . Já para bolos de festa, o nome é torta. 

Em geral, os hostales e hotéis oferecem o desayuno. Mas caso queira comer fora, uma dica é a franquia Fontarella. A padaria se encontra em diversas partes da cidade. Por via das dúvidas, deixo alguns endereços abaixo:

Casa Matriz: Rua Santa Elisa, 210, La Cisterna.
San Pablo: Rua Almirante Barroso, 810 – 814. Tel: 7842368
Santa Lucía (Centro): Rua San Antonio, 242. Tel: 7842382

A marraqueta e a palta vivem juntos.

E para quem não sabe, a rede norte-americana Starbucks está presente em Santiago. Lá você pode tomar capuccinos, cafés, usar seu notebook e se sentir como em um filme de Hollywood. ;D

No próximo post: o almoço no Chile e onde saborear os pratos típicos da mesa chilena.

Até!

domingo, 3 de abril de 2011

Ritmos Chilenos - Que escutam hoje em dia?

Basta falar sobre países latinos e eu penso em mulheres dançando lambada com uma flor no cabelo. Vocês também? Haha! Pois é, hoje eu falo um pouco sobre o que se ouve, atualmente, no Chile. Não nego que os ritmos latinos estão presentes, mas não é só isso!

Olá, gente! Vamos ao que interessa. Ops! Antes, quero convidar vocês a ouvirem o programa de rádio que fiz sobre os Ritmos Chilenos. Basta clicar aqui!

Pop

O Chile é muito influenciado pela cultura norte-americana. E isso, claro, se reflete nas produções musicais. A Francisca Valenzuela é um bom exemplo do pop chileno. Já a Ana Tijoux é a rapper mais respeitada por lá - a chilenita é boa mesmo! A cantora nasceu na França, enquanto seus pais estavam exilados, na época da Ditadura. Não por acaso, sua música mais famosa é a 1977, que fala sobre esse período. Ouçam:


Outros exemplos dessa influência yankee, são o grupo de rock De Saloon e o Kudai, que faz sucesso entre os adolescentes e mais parece uma versão chilena dos Rebeldes.

Povão mesmo!

Claaaro que eu não poderia me esquecer de comentar dos cantores que movem o povão para dançar e cantar seus hits. Agora sim eu falo de ritmos latinos. Eles fazem mais sucesso entre os mais pobres e a classe média. No Brasil, são os equivalentes ao Pagode, Funk e os ritmos nortenhos, como o Calypso. Sabe aquela música que todo mundo diz que é brega, mas canta mesmo assim? O melhor exemplo chileno desse fenômeno é o morocho Américo. Quando estive no Chile, o single dele, ”Te vas” era o toque do meu celular. Sempre que ele tocava no metrô e na rua, uns riam e outros me olhavam com cara torta! Haga!


Américo, o brega do Chile, em uma apresentação no Festival de Viña, 2010.


Apesar de produzirem pouco Reggaeton, o Chile consome muiiiito esse ritmo que nasceu em Porto Rico. Na verdade, o Reggaeton é uma febre em toda América Latina, exceto no Brasil ¬¬. Que pena que preferimos importar sobretudo aquilo que vem dos EUA. Enfim, escutem um reggaeton chileno para entenderem do que estou falando:

IMPOSSÍVEL cair na noite chilena e não dançar um reggaeton. 

Fecho a série “Ritmos Chilenos”, com a cumbia do grupo Chico Trujillo. O ritmo é colombiano, mas a banda é chileníssima. É muito comum escutar as músicas deles em boates e, claro, na boca do povo!

Quer ficar maaaais por dentro ainda? Este site diz quais são as Top 20 por lá. E aí estão inclusos hits chilenos ou não. 


Outra dica é o musicapopular.cl . Lá, você fica sabendo tudo que se escuta e que se produz de música no Chile. Além de anunciarem shows e lugares para ir.


Grande abraço!

domingo, 20 de março de 2011

Ritmos Chilenos - Cueca a Los Prisioneros

O melhor de se conhecer um país diferente é poder trazer consigo um pouco da alma de cada nova cultura. A música ajuda muito nessa imersão.

Olá, pessoal!  Eu sou adepta ao pensamento de que não basta conhecer um novo país. O interessante mesmo é voltar para casa trazendo um pouco da alma de cada lugar em que se vai. E a música faz parte disso. Pensando nisso, preparei um resumo sobre a história da música no Chile.

Cueca

Até parece que é fácil assim(não me lembro de onde tirei essa fig.)!

Esse é o nome do “baile oficial do Chile”. A Cueca é cantada e dançada. O ritmo surgiu no século 19, quando os camponeses se reuniam para cantar, dançar e conversar sobre as angústias da vida no campo. Ela também representa o homem conquistando a mulher. Quando chegou às grandes cidades, as letras da Cueca passaram a refletir mais sobre o cotidiano urbano. Nessa época ela ficou conhecida como Cueca Urbana, Cueca Brava ou Chilenera. Hoje, esse baile é considerado um ícone no Chile e é visto, sobretudo, em apresentações folclóricas. Como esta que fui, na Plaza de Armas, em Santiago:


Nueva Canción

Lembram-se do Tropicalismo, movimento que consagrou Caetano Veloso e Gilberto Gil?  Pois é, ele surgiu no mesmo contexto da Nueva Canción, ou seja, a ditadura. Nas décadas de 1960 e 1970, o Chile vivia um momento de transição política muito importante. O presidente comunista Salvador Allende defendia a igualdade social, mas, em 1973, a direita (elite, sobretudo) se uniu a alguns militares e deu-se o Golpe de Estado que pôs Augusto Pinochet no poder. No meio dessa confusão toda, cantores se reuniam, em um movimento espontâneo, para contestar o regime através da música. Violeta Parra e Victor Jara são uns dos cantores mais conhecidos da época.

Nas letras do Nueva Canción sempre haviam mensagens de protesto contra a ditadura. 

Nueva Ola e o Rock Chileno

Esse movimento começou paralelo ao Nueva Canción, mas explodiu mesmo na década de 1980. O Nueva Ola representava o rock and roll norte-americano chegando ao extremo sul do mundo! As bandas daqueeeela época fazem sucesso até hoje e seus hits são cantados até hoje, no Chile, pelos jovens. Lembro-me de que quando eu e minhas amigas brasileiras enchíamos muito o saco dos nossos colegas chilenos, eles cantavam para gente “Porque no se van, no se van del país?” ¬¬... Esse, por acaso, é o nome de uma canção de Los Prisioneros. Outras bandas clássicas do rock chileno são Los Bunkers e Los Tres.

Esse hit de Los Prisioneros é uma crítica à quem adora falar mal do próprio país e enaltecer a cultura europeia e dos EUA.

Bom, ainda resta falar sobre a música que se escuta hoje em dia no Chile. Ficou curioso? Então, aguarde que na próxima semana tem mais!

terça-feira, 8 de março de 2011

Chilenismo, o idioma do Chile

Se deseja se comunicar no Chile, esqueça o portunhol e até mesmo o espanhol. Nesse país, o idioma é o chileno, po!


Oi, gente. Tudo bem?


A língua oficial do Chile é o espanhol. Mas mesmo quem conhece bem o idioma de Cervantes  estranha um pouco o jeito de os chilenos falarem. É que o espanhol falado no Chile é muito marcado pela informalidade e por influências estrangeiras e mapuches (indígenas). Além deles falarem rápido, comerem os "d" e "s", etc...

O sotaque chileno varia muito pouco entre as regiões do país. As diferenças são mais marcantes entre pessoas de diferentes classes sociais. Ainda assim, há os chilenismos, que são expressões e palavras usadas diariamente por toda gente. Mas, ¡no te preocupes! Abaixo, vai uma lista de sobrevivência para que o visitante não pague (muito) mico. Tome nota.

Chilenismos – Kit de Sobrevivência para turistas



Bacán/Choro/Filete: Todos são usados para dizer que algo ou alguma situação é bacana, legal. Ex: ¡El viaje estuvo filete!

¿Cuánto vale?: É o nosso "quanto custa?". 

Luca: No Chile, cada mil pesos também é chamado de luca. Ex: “Estos zapatos valen 6 lucas”, ou seja, valem 6 mil pesos.

¡Por favor, no te pase!: Isso é para falar com o taxista quando achar que ele está dando volta demais. Mas sempre com bom humor, hein?

Usted: Esqueça o “Tu”. Ele é falado apenas com amigos. Em comércios, hotéis e outros lugares em que a pessoa não seja íntima, prefira o “usted” que é muito mais educado e se conjuga igual ao "você" do português.

Estoy pato: Estou sem dinheiro. Ex: No puedo ir a Valparaíso porque estoy pato.

Carrete: Festa. Ex: Hay un carrete bacán hoy día. ¿Te tinca ir?

Nem os cartunistas escapam dos chilenismos.


Carabineros: Equivalente aos nossos guardas-civis ou policiais militares. Diga-se de passagem, o carabinero chileno é considerado um dos mais honestos do mundo.


¿Cachái?: Você vai ouvir muiiito isso. Há várias hipóteses sobre sua origem, mas o que nos importa é que ele é sinômimo de saber, conhecer ou entender. Ex: ¿Cachái donde estamos?. Ou então:¡Que clase fome! No cacho nada que dice la profesora.


Micro: Ônibus que roda dentro da cidade. O de viagem é chamado "bus". Ex: Tenemos que tomar una micro que nos lleve al barrio Bella Vista.


Mall: É como eles chamam os shoppings centers. Ex: Me compré un gorro muy lindo en el Mall Apumanque. 


Pololo/polola/pololear: De origem indígena, significa: namorado, namorada e namorar. Ex: No puedo irme contigo, tengo un pololo em Brasil.


¿Qué hora es?: Não só no Chile como no espanhol em geral, não existe "¿Qué horas son?". 

Quiltros: São os famosos vira-latas. Muito comuns nas ruas das grandes cidades chilenas.

Po: Todo mundo fala. É o "pues" do espanhol e o "pois" do português. Eles usam para enfatizar suas respostas de três maneiras. Veja:
Ex 1: ¡Sipo! Seguramente voy a Viña mañana.
Ex 2: ¡Yapo! Deja de molestarme, pesado!
Ex 3: ¡Nopo! No voy al carrete porque estoy pato.

Piola: Alguém ou alguma situação tranquila, “de boa”. Ex: Hablar portuñol es piola, dificil es hablar chileno, po!


Sencillo: É o dinheiro trocado, as moedinhas. Eles costumam falar muito no diminuitivo também. Ex: El billete del metro vale C$ 650. Mejor si lo pagas en sencillito.


Taco: Engarrafamento ou o salto de sapatos femininos. Ex: Voy a atrasarme. Hay un taco enorme cerca a la Plaza Itália.


Quiltro: nome que os chilenos dão aos vira-latas. 

Parece, mas não é!

Bebida: Refrigerante tipo Guaraná, Coca-Cola e etc. Bebida alcoólica é o trago e drinques, em geral, copete.


Chato: Refere-se a coisas ou pessoas entediantes. Ex: La conversa me tiene chata.


Cueca: É o nome da dança típica do Chile. A roupa íntima dos rapazes, chama-se "calzoncillo".

Fome: Também tem a ver com algo ou alguma situação entediante. Então, cuidado na hora de soltar um “¡Que fome!”, que por lá soa como: “Que chatisse!”. Se quiser dizer que tem fome, prefira dizer: Tengo hambre.

Fresco: É quase o contrário do significado no Brasil. Fresco no Chile é o famoso cara-de-pau, atrevido, sem vergonha.


Pelado: Essa é super passível de confusão. Em espanhol, significa careca.


Observem a letra "d" sendo comida. E para quem não conhece, este é Condorrito, o personagem mais famoso dos comics chielnos.


Pesado: Além de se referir a algo com muito peso, significa “chato”. Ex: Este hombre es muy pesado.


Pico: Palavrão! Esquece. Quer subir ao topo ou pico da montanha, diga: Quiero conocer la cima del Cerro Santa Lucía.

Propina: Refere-se à gorjeta e, no Chile, paga-se gorjeta para tudo. 

Tomar: Significa ingerir qualquer bebida alcoólica. Se quiser tomar uma água ou um suco, diga: Tengo sed. Me gustaría beber un água.


Vaso: Copo. É assim em todo país de fala hispânica. Ex: Un vaso de bebida, por fa!

Xuxa: A Rainha dos baixinhos também é bem conhecida no Chile. Mas por lá, a palavra é um insulto dos feios. Ficou com raiva? Prefira usar os termos “¡Pucha!", "¡Chuta!" ou o típico “¡Qué lata!”.

Agora que já sabe um pouco, tente "cachar" esse vídeo (não imaginam quão difícil foi encontrar um vídeo mais ou menos compreensível):


Gente, nada de pânico, hein? Vale lembrar que o chileno adora nosso povo. Eles percebem de imediato quando um brasileiro se aproxima e, em geral, tendem a ser muito pacientes com as nossas falhas idiomáticas.

Nos vemos! 

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Moda da China no Chile

A China tem alguns tratados comerciais com o Chile e isso reflete não só na economia como também no modo das pessoas aqui se vestirem. Estampas e tecidos se misturam em uma divertida (ou estranha) composição. Há lugares especiais onde encontramos tudo isso a um baixo custo, como é o caso de Patronato ou o dos “Dos caracoles”.

Quem conhece em Belo Horizonte o Barro Preto, dito como "Pólo da Moda" da capital, pode imaginar como é Patronato. Ele se localiza na linha 2 do metrô santiaguino, não é muito longe do centro e é de fácil acesso. É quase um bairro, com quadras e quadras de artefatos chineses, como: acessórios, objetos para decoração mas, sobretudo roupas. Muita roupa! A região não é vista com bons olhos por aqueles que moram da "Plaza Itália para arriba", ou seja, classe média alta e classe alta de Santiago. Mas não é difícil encontrar granfinos comprando suas muambas por lá.


As "calzas" são muito usadas por aqui. São como nossas leggings, mas bastante estampadas.

  
Um pouco mais exagerado do que se vê na rua, Patronato reflete a moda da capital. Mais comum do que ver uma chilena de jeans e blusa básica, que é universal, é vê-las com composições inusitadas; e se eu bem conheço meus compatriotas, diria que até um pouco brega. Mas como sou aberta às novidades entrei na onda e comprei uma legging bem estampadona. As mulheres aqui as usam muito, que aqui é chamada de "calza" (se pronuncia calça mesmo!). E fazem dela uma peça básica no guarda roupa. É legging de baixo de short, de baixo de saia, de vestido, com salto, com tênis, enfim! 

Minhas aquisições feitas em Patronato. Tudo por menos d R$50.

Outro aspecto interessante do modo de vestir dos chilenos, principalmente das mulheres, é a mistura de estampas e tecidos que elas fazem.  Eu tenho a impressão que elas acordam e, às cegas, escolhem as primeiras peças que encontram pela frente. A partir do meu ponto de vista como brasileira, diria que as combinações quase nunca dão certo. É um tal de misturar crochê com veludo, renda com xadrez e por aí vai... Sempre parecem estar vestidas com roupas dos anos 70 (nada contra o estilo retrô!). Mas quando dá certo é pura alegria! As mais jovens fazem bem esse jogo e, caminhando pela rua, eu às vezes acho que estou andando por Tóquio tamanha quantidade de cores e estilos que vejo. A grande vantagem é que você põe o que quer e não precisa se preocupar porque ninguém vai te olhar com cara feia.

Imitações desse modelo clássico do RayBan aqui são febre. Estes estavam na promoção de C$ 1000, menos de R$ 4.

Com o tempo, a gente que vem de fora acaba se acostumando, ou muitas vezes não. Outro lugar que é resposta unânime quando se pergunta onde é indicado para comprar roupa, é o “Dos caracoles”, no centro do bairro de Providência. São dois edifícios de uns quatro andares cada, em que se encontra tudo que está na moda por aqui. Mas alerto aos navegantes de primeira viagem: a moda aqui parece muitas vezes ter parado no tempo. Interessante é ver também a dificuldade enorme de se encontrar uma blusa básica, daquelas de uma cor só e lisa, sem estampa. Não tem em parte alguma.

Os "Dos caracoles" no centro de Providencia. Toda moda (inusitada) do Chile pode ser encontrada aqui.


Por último, vale comentar das lojas de multimarcas mais populares do Chile. Elas são como as nossas C&A e Renner, mas com a diferença que vendem também informática e eletrodomésticos em geral. Além disso, algumas vendem marcas de grife como perfumes de Georgi Armani e Hugo Boss e maquiagens da famosa MAC. As compras podem ser feitas pela Internet, e como tudo aqui no Chile, se você tem o cartão fidelidade de cada comércio, ganha desconto nas compras ou acumula pontos para trocá-los posteriormente. As mais conhecidas são Falabella, Ripley e Paris e estão espalhadas por toda a cidade.



Estes dois sapatênis são uniforme aqui entre as adolescentes e jovens: todas têm. Custam a partir de R$ 40.


E última dica: aos que ficam na dúvida se devem trazer ou não peças de frio para o Chile ou comprar aqui, fique com a segunda opção, porque aqui é muito mais barato a moda de inverno, já que é um país, em geral, mais frio que quente. E assim como no Brasil, todos esperam para se exibir no verão, aqui todos aguardam ansiosos para desfilar suas roupitchas de frio, portanto a oferta é imensa!





Eu tirando foto clandestinamente dentro da Falabella. Aqui não se pode tirar foto de nada! Preço do colete: R$40.


Bom, é isso. Um beijo especial às mamães que acessam o meu blog. Desejo tudo de mais lindo e maravilhoso a vocês que nos deram a vida! Para a minha mamis, os meus votos estão nesse vídeo, que quem não viu, pode ver clicando aqui: Feliz Dia das Mães direto do Chile!


Boa semana a todos!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Solidariedade: idioma mundial

A história


Dia 27 de fevereiro de 2010, de madrugada. Dona Lucilia de Carmen Piña Vidal está sozinha em sua casa construída com adobe e madeira quando sente o chão tremer. Assustada e sem entender o que acontecia ela recolhe agasalhos, água e alimento e tenta fugir para rua. O movimento de ondulação é tão forte que não permite que ela sequer se mantenha de pé. Minutos depois ela consegue sair da casa e vê na estrada de terra onde mora, as árvores se entrecruzando. Dona Lucilia vive a 24 quilômetros de qualquer assistência médica ou comércio. Consegue chegar à casa de sua irmã e fica por lá até o amanhecer. Quando no outro dia retorna à sua vivenda, percebe que já não pode mais ficar lá. A casinha que era de seu avô e tem mais de 100 anos, está a ponto de desabar.

 A sala-cozinha da casa de Dona Lucilia feita de adobe e madeira.

Dia 27 de março de 2010, de madrugada. Dona Lucilia com seus ouvidos apurados e seu corpo atento a quaisquer movimentos vindos da terra, escuta ruídos de carros e caminhões vindos da cidade mais próxima de seu povo. Dentro dos veículos há solidariedade, boa vontade e esperança. Ela mal sabe, mais dentro de um dia terá uma nova casa.

O projeto

Pichilemu é uma cidade conhecida por lindas praias e agora também pela destruição causada pelo terremoto. Ela se encontra na IV Región Del Libertador Bernardo O´Higgins, ou seja, sexto estado chileno distante 260 quilômetros de Santiago. Há cerca de 25 quilômetros de distância, está El Maqui, pequeno povoado campestre que após o desastre de 27 de fevereiro, deixou centenas de famílias desabrigadas ou vivendo em casas com grande risco de desabamento.

 El Maqui, distrito da cidade de Pichilemu, que por sua vez está localizado na VI Región de Libertador Bernardo O´higgins.

Criado em 2007, o projeto Un techo para Chile tenta erradicar a pobreza no país a partir de construções de medias águas, que são casas emergenciais feitas de madeira e muita solidariedade. Todas as férias letivas (janeiro e julho) eles convocam estudantes de todo o país para construírem estas moradias em diversas regiões marginalizadas. Extraordinariamente, o projeto está atuando todos os finais de semana desde o desastre ocorrido no final das mesmas férias em função da quantidade de pedidos de ajuda no pós-terremoto. Na viagem deste último final de semana, o projeto conseguiu reunir cerca de 100 voluntários com a meta de colocar de pé 20 medias águas. Orgulhosamente pudemos realizar o feito com sucesso.

Héctor do Equador com sua fitinha da ação: Chile ayuda Chile. E eu completaria: "E os estrangeiros também".

Mãos à obra

Através da minha madrinha de intercâmbio, Constanza Egaña, quase todos os estudantes intercambistas da UANDES foram convocados para missão “El Maqui”. Nos juntamos aos demais estudantes e em dois ônibus e 4 horas de viagem chegamos ao povoado, às 3 horas da madrugada do sábado, 27. Dormimos em barracas montadas no pátio de uma escola primária da região e em 3 horas e meia estávamos de pé, com muito frio e à espera da saída do sol e de pormos a mão na massa. Fomos divididos em 17 quadrilhas de seis pessoas, cada uma encarregada da construção de uma casa. Além disso, todo grupo contava com a ajuda de um ou dois militares do exército chileno. Por uma falta de conhecimento da região, o primeiro dia rendeu pouco, pois nos perdemos, além de ficarmos atolados em um pequeno riacho da redondeza. 

O caminhão do exército atolado e todos pensando como tirá-lo de lá. A solução veio com um garoto da região que dirigia seu trator e passou por perto na hora. É gente ajudando gente! 

Primeiro dia: tratando de nivelar o terreno para depois instalar os pilares.

Por sorte, minha quadrilha era composta por minha madrinha, que era a chefe e meus colegas estrangeiros, o que facilitou a interação nossa. Além disso, fomos muito bem recebidos pela senhora dona da casa: Lucilia de Carmen. Antiga moradora da região e presidenta do grupo comunitário da vizinhança, ela nos tratou muitíssimo bem, sempre com uma risada divertida e uma história para contar de seus anos vividos na Alemanha. Os militares que nos auxiliaram também foram impecáveis. Muito engraçados, por acaso! Fizeram-nos rir muito com suas histórias como servidores do país. Militantes e militares juntos. Quem diria? Coisas do século XXI. Também fomos motivo de riso entre os moradores da região, inclusive o senhor Francisco Antônio, ou Don Corucho, como prefere ser chamado, que de minuto em minuto dava gargalhadas infinitas vendo o nosso despreparo com as ferramentas e a conversa confusa que resultava da diferença de sotaques e nacionalidades.

Verônica, Harry e eu nos preparado para o segundo dia. No fundo, nossas barracas.

Almoço preparado pela Dona Lucilia. Ajudamos matando as galinhas. Hehe!

Ninguém era experto em construção, mas todos queríamos muito poder contribuir de alguma forma para aquela senhora que com olhos atentos assistia o nosso trabalho. Dois dias estirados na terra vermelha, sem banho, cheio de picadas de sancudos (pernilongos), tendo que se adaptar ao clima que ora era quente, ora frio e ora garoa com muito vento. Com mãos e corpos doloridos pelo esforço feito, por volta das 21 horas de domingo pudemos entregar a casa pronta para Dona Lucilia, que emocionada nos agradeceu muito e prometeu por na sede comunitária o nome “Hermanos de todo el mundo”, em nossa homenagem.

Dona Lucilia (de preto) entre seu vizinho e seus irmãos, entre eles Don Curocho, de branco e rindo para variar! Haha!

Reunidas todas as quadrilhas, saímos exaustos da pequena vila. E no silêncio da viagem de volta, escutava-se o coração de cada um feliz por ter ajudado e com a certeza de que esta experiência levaremos por toda a vida.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Primero mes

Sabe quando você sonha com algo e planeja que tudo saia da forma que você imaginou que seria melhor? Esquece. Alguma força superior a todos nós sempre sabe o que é melhor para a nossa vida. Acreditem. Há um mês, a essa hora, eu estava quase em prantos porque a mulher que me receberia neste país, estava na praia e eu na rua. Quem diria que hoje eu agradeceria tanto que isso tenha acontecido.

Olá, gente, como estão? Eu aqui não poderia estar melhor. Estou hoje comemorando meu um mês de Chile, e à moda da casa: em um churrasco. O grupo de estrangeiros, nos apelidamos "Los Cuates", que significa "Os parceiros", no México, estamos nos dando muito bem. É muito bom estar com todos eles, porque além da cultura chilena, conhecemos um pouco sobre o México, Peru, Equador, Estados Unidos, França e Austrália. Hoje o "asado" foi no prédio de um equatoriano amigo nosso, o Chafla. Vejam nas fotos que maravilhosa a vista. E aqui em Santiago qualquer parte que você ande pode ver as Cordilheiras dos Andes. Estamos aproveitando o final do verão, porque logo o frio aterrorizador vai começar.


Sexta indo "carretear". No volante, o Pedro, mineirinho de Belo Horizonte, uai. Mas chileno de coração, há quatro anos aqui. Ao meu lado, a mexicana Gabriela, e atrás: Harry, peruano; Tomas, francês e Alejandro, mexicano.


"Los Cuates, wey!", que no México seria como: "A galera, cara!". No fundo, as Cordilheiras dos Andes.

Aliás, esta coisa de calor de dia e frio à noite é péssimo para a saúde, sobretudo quando nos alimentamos de macarrão todos os dias, como é meu caso. Estou me recuperando de um resfriado forte que peguei há uma semana. Acordei uma noite de tanto tossir e resolvi fazer um xarope delicioso que minha mãe fazia quando era criança: de cebola! Ecat! Mas resolveu... Depois ainda comprei um xarope de farmácia e me sinto melhor agora. Quando se está longe de casa, é bom não dar bobeira com o assunto saúde.

Mao devorando os Completos, que são tipo cachorros quente, mas só levam tomate, salsicha e abacate e os Italianos, que levam chucruts (repolho), salsicha, e uma saladinha de cenoura e pimenta.

Esta semana Marília e eu tivemos abstinência de feijão brasileiro. Sim, porque aqui tem um prato que se chama "Porotos con riendas", que é macarrão com feijão branco. Ainda não provei, mas é tudo que eles sabem sobre feijão. Resolvemos (ok, Marília, só você fez) fazer para todos da casa. O pretinho passou a noite em banho maria, e no dia seguinte umas três horas no fogo; tudo isso porque não tínhamos uma bendita panela de pressão. Cozinhamos para umas dez pessoas. O jantar que deveria sair às 20 horas, saiu meia noite, mas todos curtiram (óbvio, com a fome que estavam, todos comeriam qualquer coisa, hehe)!

Vizinhos de quarto no jantar brasileiro. No menú; arroz, feijão preto, batata frita, bife e salada de alface e tomate. Eles amaram!

Quanto à faculdade, estou amando! Tenho aulas de Chile y América Latina II, e imaginem, nem gosto desse tema, não é? Além disso, tenho aulas de Espanhol, e todos os estrangeiros não hispano-falantes fazem parte dela. A professora é ótima e ensina todos os modismos, exceto os muito ordinários, que isso eu aprendo dentro de casa mesmo. Mas não se preocupem, não os uso, é senão por uma questão de sobrevivência, hehe! Terei mas outras três matérias, uma começa amanhã e as duas outras só em Abril.

Indo para a aula às 7:30hs. Daqui para frente a tendência é escurecer mais. Isto explica porque nenhuma escola ou faculdade têm o início das aulas às 7 horas.

Enfim, um mês maravilhoso, eu diria. E tenho cinco mais... Que venham!

Uma boa semana a todos!